Bruninho destaca nova base com jovens após ouro no Sul-Americano de vôlei

Time contou com novatos como Vaccari, e o ituiutabano, Adriano de 19 anos, na campanha que terminou com o 33º título da América do Sul, em revanche contra a Argentina após as Olimpíadas

O Brasil ganhou todas as 33 edições que disputou. A Argentina é o único país, além do Brasil, a ter vencido o Sul-Americano masculino – foi em 1964, quando a seleção não disputou.

Em Brasília, o time do técnico Renan Dal Zotto esteve com sete jogadores que voltaram sem medalha de Tóquio. Além deles, foram convocados para o Sul-Americano Abouba, João Rafael, Vaccari, Adriano (jovem de 19 anos natural de Ituiutaba), Flávio, Cledenilson e Maique. É o início de renovação para um time que, logo depois das Olimpíadas, ficou sem nomes como Wallace e Maurício Borges, que se aposentaram da seleção. Renan destacou a presença dos mais jovens no time agora.

– É importante para dar moral, principalmente os mais jovens hoje mostraram, tanto o Vaccari quanto o Adriano quando tiveram oportunidade foram muito bem.

Citado por Bruninho, o ponteiro tijucano Adriano Fernandes Procópio Xavier Cavalcante, 19 anos, é tido como uma das revelações do vôlei brasileiro. Na última Superliga, jogando pelo Itapetininga, ele chamou a atenção – assim como sua antiga equipe, que eliminou o todo-poderoso Cruzeiro e chegou às semifinais.

Adriano em sua história começou sua vida no esporte, ainda quando estudava na Escola Estadual Governador João Pinheiro, e já aos 14 anos participava da disputa em uma competição esportiva em Ituiutaba, eram os Jogos Estudantis de Ituiutaba (JEI). “Eu estava com o braço quebrado, minha mãe na arquibancada e eu implorava para o técnico: “Deixa eu jogar, deixa eu jogar”. E eu no banco. O árbitro disse que não podia me deixar jogar, mas o técnico disse que minha mãe estava ali. Minha mãe é conhecida na cidade, se chama Adriana. Olhou para mim e perguntou se eu queria jogar. Falei que sim. Um menino com o braço esquerdo quebrado dentro da quadra e a gente ganha o jogo, a maior vitória. Todo mundo alegre, criança, gritando e comemorando”. Nunca vou esquecer esse dia destacou Adriano.

Adriano, hoje com 19, carrega as lembranças vivas daquele dia sempre que entra em quadra. O menino de Ituiutaba se transformou na maior revelação da temporada na Superliga.

Adriano foi descoberto em competições no Triângulo Mineiro até chegar à peneira da CBV, à procura de jovens talentos pelo país, em 2017. Foi parar no Canoas, onde fez uma boa Superliga B, até voltar à seleção sub-19 e chamar a atenção do Itapetininga. Mas sem deixar de lembrar da quadra improvisada em Ituiutaba.

– Eu estudei na escola João Pinheiro, em Ituiutaba mesmo. Sempre joguei tudo. Quando fui para lá, perguntei a um professor se tinha um time de vôlei. Ele disse que não, mas que, se eu quisesse, conseguia alguns meninos para jogar. É um colégio público, a quadra é minúscula, de cimento, toda, toda torta. Um lado da rede ficava a três metros de altura, o outro a dois. É sério, pode perguntar para qualquer pessoa.

A ascensão meteórica não assusta Adriano. Durante a Superliga, mostrou personalidade pouco comum para quem está começando. Chama atenção pela força no ataque, pelo bom passe e pela altura.

– Eu tenho 2,00m. Disseram que eu tenho 1,97m, mas são 2,00m. Estão me tirando três centímetros – brinca, antes de falar sério.

– Eu comecei agora, estou começando cedo e acho que já estar na Superliga é, como eu posso dizer, a concretização de um sonho e a confirmação de que eu estou no caminho certo. Acho que agora é só trabalhar para mais coisas acontecerem. Essa classificação contra o Cruzeiro, além de histórica, como o Brasil todo diz, acho que é uma gratificação. Muito especial, acho que eu sempre vou lembrar disso, independente do que acontecer na minha carreira. Vai ficar marcado.

Durante as partidas contra o Cruzeiro, Adriano foi muito elogiado por um de seus maiores ídolos. Nalbert elogiou o potencial do ponteiro por diversas vezes. E, principalmente, a frieza do garoto em momentos tensos dos jogos.

– E, todo mundo que vem conversando comigo fala dos elogios do Nalbert. Um menino de dezenove anos, de um moleque que joga como adulto, que tem frieza. Eu só agradeço, espero evoluir mais e mais. Nos primeiros jogos, eu ficava muito nervoso, muito ansioso, querendo fazer tudo certo. E é normal ter essa ansiedade nos primeiros jogos. E eu acho que eu fui me acostumando com isso.

Tudo isto redeu a Adriano, a sua convocação para o Sul-Americano, e se sagrar campeão e um destaque da equipe. Parabéns e que Deus ilumine seus caminhos, e que a simplicidade, a ética, a humildade sejam os carros chefes para seu sucesso de hoje e de sempre. O futuro te espera de braços abertos  

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