Número de crianças registradas sem o nome do pai cresce durante a pandemia no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de MG

O número de crianças registradas sem o nome do pai aumentou durante os anos de pandemia nas principais cidades do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas. O crescimento foi de 6,4%, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen).

Para o levantamento foram considerados os períodos de março de 2020 a março de 2022 (período de pandemia) e fevereiro de 2018 a fevereiro de 2020 (período anterior à pandemia da Covid-19).

Análise dos números

Para a análise foram consideradas as cidades de AraguariAraxáConceição das AlagoasFrutalItuiutabaParacatuPatos de MinasUberaba e Uberlândia.

No período pré-pandemia foram registrados 49.326 nascimentos nas cidades, desses, 2.079 são casos de registros com pais ausentes. Já na pandemia, 45.935 nascimentos com 2.212 com pais ausentes.

Comparando os períodos, os nascimentos diminuíram no período de pandemia. Porém, o número de registros com pais ausentes aumentou. Por isso, além do crescimento desses dados, também há aumento na porcentagem de registros com pais ausentes, comparado aos registros totais.

A cidade com a maior porcentagem de certidão de nascimento sem o nome do pai é Uberaba, com 6,15%. No período pré-pandemia, os números já eram os maiores comparado com as outras cidades, com 5,7%, mas esses números apresentaram aumento.

Entre as cidades analisadas, Conceição das Alagoas foi a única que apresentou queda nessa porcentagem, saindo de 3,6% para 3,08%.

Motivos para o crescimento

Para a coordenadora da Comissão Permanente de Valorização e Proteção da mulher da UFU e professora Neiva Flavia de Oliveira, a pandemia agravou a situação, mas não é a única “culpada pelo aumento”.

“Quando vivemos um momento de crise, como agora e em função de um desdobramento não apenas da pandemia, vemos aumentar o desemprego e o preço das coisas, nós vemos ao mesmo tempo crescer o número de crianças que ficam sem o nome do pai no registro”, explicou Neiva.

Ainda de acordo com a coordenadora da comissão, ficar sem o nome do pai remete em muitos outros fatores além do documental. “Significa ficar sem o pai na vida. Sem ter esse pai ali em muitos sentidos, tanto no apoio emocional e afetivo, mas também no apoio financeiro”.

“Criar uma criança ou um adolescente custa e custa cada vez mais. O que acontece, todo o ônus da criação, em momentos de crise financeira desaba no ombro das mulheres”, completou.

Desta forma, Neiva pontua os motivos dessa situação não ser consequência da crise, mas sim, uma “consequência da estrutura patriarcal que entende que engravidar e ter o filho é responsabilidade da mulher. Se ela teve, problema dela, ela que se vire”.

“Infelizmente a responsabilidade paternal quanto aos filhos e filhas ainda é um assunto que precisa de muita campanha de educação e transformação em nosso país”, finalizou.

Direito de ter pai

A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) realiza o mutirão “Direito a Ter Pai” em algumas cidades das regiões. Em setembro de 2021, ocorreu a 9ª edição do evento, com serviço gratuito que conta com exames de DNA e reconhecimento espontâneo de paternidade e maternidade.

A intenção é, cada vez menos, ocorram casos de “pais ausentes” nas certidões.

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