Pedido de Zema por urgência em Recuperação Fiscal está parado na Assembleia

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) não tem previsão para recolocar em regime de urgência o projeto de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Na semana passada, o governador Romeu Zema (Novo) enviou mensagem aos deputados estaduais solicitando que o tema voltasse a ser debatido de modo ágil, com redução dos prazos legais para tramitação.

O ofício de Zema solicitando o retorno ao regime de urgência foi remetido em 31 de março.

Para que o modelo seja posto em vigor, o texto precisa ser lido durante uma reunião de plenário. Nesta semana, no entanto, isso não aconteceu. O plenário não funciona às sextas e segundas-feiras – portanto, a próxima data para oficialização da urgência é a terça-feira (12/4).

O governo mineiro se ampara na adesão ao RRF para renegociar a dívida com a União, que passa de R$ 140 bilhões. Depois que a mensagem de Zema sobre o tema for lida, os deputados terão 45 dias para emitir parecer a respeito do projeto. Se isso não ocorrer, o tema entra automaticamente na pauta do plenário e, então, passa a travar a votação de qualquer outra proposta.

“Não há previsão de leitura [da mensagem de Zema]. Por isso, é necessário acompanhar as próximas reuniões de plenário para saber sobre a continuidade da tramitação”, informou, ao Estado de Minas, a assessoria de imprensa da Assembleia.

Contados os 45 dias, caso a Recuperação Fiscal ainda esteja nas discussões de primeiro turno, o texto passará a tramitar em turno único. A reportagem procurou, também, a equipe do presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PSD). Se houver retorno, este texto será atualizado.

O Regime de Recuperação Fiscal foi proposto pelo governo federal para dar fôlego financeiro aos estados com problemas de caixa. A equipe de Zema quer apressar o ingresso ao plano para evitar que o Supremo Tribunal Federal (STF) casse liminares que suspendem o pagamento das dívidas junto à União.

Em outubro último, o ministro Luís Roberto Barroso estipulou maio como limite para a adesão de Minas ao RRF, sob pena de barrar a medida cautelar que impede a quitação do passivo. Se a liminar cair, o estado estima ter de pagar, quase que imediatamente, mais de R$ 40 bilhões.

“A recuperação fiscal do estado é meta essencial para que a administração pública possa ampliar e aprimorar os serviços públicos prestados à sociedade, além de manter a regularidade das contas públicas e do pagamento, em dia, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas”, lê-se em trecho do pedido de urgência encaminhado por Zema.

Em meio às tentativas de emplacar a votação do RRF, Zema chegou a apelar à Suprema Corte para obrigar a Assembleia a colocar o assunto em pauta.

Deputados temem prejuízos ao funcionalismo e aos serviços públicos

Em que pese as alegações do Palácio Tiradentes, a Recuperação Fiscal opõe deputados aliados a Zema à maioria dos parlamentares. Boa parte dos integrantes da Assembleia teme que o pacote gere contrapartidas como o congelamento de salários e desinvestimentos em políticas públicas.

“Em tese, estaríamos, no último ano de legislatura, votando condicionantes para os dois próximos governos, que ainda vão ser eleitos. Não me parece que é o caminho [adequado] neste momento”, protestou, no início dos trabalhos parlamentares deste ano, o deputado André Quintão (PT), líder do grupo de oposição a Zema.

Ele é um dos defensores de uma “saída política” para o tema. Entre os políticos mineiros, há quem acredite na possibilidade de renegociar a dívida de Minas por meio do diálogo, sem a necessidade de um programa formal de ajuste fiscal.

O coordenador da bancada mineira de deputados federais, Diego Andrade (PSD), chegou a sugerir caminho atrelado à Emenda Constitucional dos Precatórios, que viabilizou o pagamento do Auxílio Brasil. O texto, além de atrelar a correção dos precatórios à Selic, taxa básica de juros, permite que negociações envolvendo a Fazenda Pública sejam regidas, justamente, pela Selic.

“Abre-se um caminho para a gente tentar – e, aí, tem que estar todo mundo de mãos dadas: governador, prefeitos, senadores e deputados – conseguir aproveitar o que está na Constituição para conseguir uma renegociação com juro baixo”, explicou, em janeiro.

Recuperação Fiscal e reajuste salarial

O pedido de urgência encaminhado por Zema na semana passada é o segundo ligado à Recuperação Fiscal. Ele já havia feito reivindicação igual em outubro, mas retirou a solicitação no meio de março, a fim de permitir a votação do projeto que reajustou em 10,06% os salários de todo o funcionalismo.

A reposição dos vencimentos, aliás, gera outro embate entre Legislativo e Executivo. Isso porque os deputados concederam aumentos extras a profissionais de saúde, educação e segurança pública, mas as emendas foram vetadas.

Nesta sexta (8), uma comissão especial se reúne para começar a analisar a decisão de Zema, que pode ser derrubada.

A mensagem de Zema comunicando o veto chegou à Assembleia na quarta (6) e, ontem, foi lida em plenário.

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